Alta de juros e exportações desafiam crescimento
É inquestionável os bons ventos trazidos pelo crescimento da economia neste primeiro trimestre. A instabilidade do mercado externo, seja ela provocada pela crise americana ou dos alimentos no mercado internacional, deixam de ter o efeito epidêmico de antes, para ser uma gripe tratada com os remédios caseiros. A expansão de 5,8% na economia brasileira neste primeiro trimestre, nos torna mais resistentes a essas crises. Todavia ainda perduram algumas contradições que recomendam cautela nos prognósticos para a economia em 2008.
Embora a declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma platéia de executivos da bolsa de que ” Nós temos a obrigação e o compromisso de não permitir que (a inflação) volte a atrapalhar o sonho da estabilidade que esse país conquistou “, a política adotada pelo Banco Central de controle das taxas de juros é no mínimo impactante a expansão da produção, a mesma que gera empregos, aumento de salários e, conseqüentemente, a tão sonhada renda das famílias brasileiras.
Os primeiros sinais de cautela, frente a euforia sustentada pelo bom desempenho da economia neste primeiro trimestre, é apontada pela desaceleração do PIB no segundo semestre de 2008. Se por um lado a política econômica entra em choque com a pretensão política de geração de empregos e expansão da produção, o que seria mais coerente para resistir as ameaças do mercado externo, tem outra paradigma a ser enfrentado: O desequilíbrio da balança comercial, provocado pela redução nas exportações. Este é um fator que deverá influir negativamente no PIB de 2008.
Talvez o Brasil esteja vivendo, não somente um bom momento na sua economia, mas a oportunidade de reverter uma prática de desenvolvimento, onde o fomento a produção deixe de ser um privilégio apenas das economias desenvolvidas.
Luciane Isaias

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